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Indicadores

Valor Contábil x Valor de Mercado:
O valor patrimonial das empresas não é necessariamente próximo do valor de mercado. Isto se deve basicamente ao fato de que os dados contábeis são escriturais e podem conter defasagens em relação ao valor considerado justo para a ação, que é um entendimento subjetivo e pode variar de investidor para investidor. Os diferentes julgamentos de valor é que fazem, afinal, o mercado funcionar, havendo sempre compradores e vendedores e proporcionando liquidez para os ativos. É importante saber que a contabilidade utiliza como parâmetro o conceito de valor econômico, e não financeiro. Isto significa que os valores observados nos balanços não têm relação direta com o valor efetivo de realização, o que é dado pelo mercado.

Quanto aos indicadores que medem a performance da empresa, vamos começar mostrando aqueles ligados a uma avaliação estática, que são os Indicadores de Liquidez, Endividamento e Rentabilidade.

Indicadores de Liquidez
Liquidez Corrente = Ativo Circulante/Passivo Circulante
Indica quanto a empresa tem a receber no curto prazo em relação a cada unidade monetária que deve no mesmo período.

Liquidez Seca = (Ativo Circulante - Estoques)/Passivo Circulante
Tem o mesmo significado que a liquidez corrente, com exceção do fato de que os estoques não são considerados como recebíveis, ou seja, não conta com a realização imediata dos estoques.

Liquidez Geral = Ativo Circulante + Realizável a LP / Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo
Oferece a mesma indicação da liquidez corrente, mas engloba também os ativos e passivos a longo prazo.

Indicadores de Endividamento

Endividamento Geral = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo / Patrimônio Líquido
Indica quanto a empresa tem captado junto a terceiros em relação ao seu capital próprio.

Endividamento Oneroso = Dívida Onerosa Total / Patrimônio Líquido
Mede especificamente o comprometimento do capital próprio da empresa em relação à sua dívida com bancos e outras que têm custo financeiro embutido (debêntures, desconto de duplicatas, etc.).

Endividamento Oneroso Líquido = Dívida Onerosa Total - Disponibilidades / Patrimônio Líquido
Como o nome diz, trata-se do cálculo do endividamento deduzido das disponibilidades aplicadas no mercado financeiro. É bastante útil nos casos de empresas que têm baixo custo de captação de empréstimos e o fazem com intuito de realizar o que chamamos de arbitragem, ou seja, captam de um lado e aplicam do outro, gerando ganhos líquidos.

Indicadores de Rentabilidade
Rentabilidade do Patrimônio Líquido = Lucro Líquido/Patrimônio Líquido
É a taxa de retorno dos acionistas e mede a performance do lucro em relação ao capital próprio empregado no empreendimento. Normalmente se utiliza o Patrimônio inicial, mas podem ser necessários ajustes, o que nos leva a sugerir, em princípio, o emprego do Patrimônio médio do período de apuração do lucro.

Rentabilidade do Ativo Total = Lucro Líquido/Ativo Total médio
Este indicador mede a eficiência global da administração, ou seja, o retorno obtido em relação ao total de recursos empregados, sejam eles próprios ou de terceiros.

Pay-Out: é a taxa de distribuição do lucro da empresa para os acionistas na forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio. A legislação exige que seja distribuído, no mínimo, 25% do lucro líquido após as deduções legais. Exemplificando, se uma empresa tem lucro de R$ 1,00/ação e distribui R$ 0,35/ação como dividendos, seu pay-out seria de 35%.

Dividend Yield: é calculado tendo como numerador o dividendo distribuído por ação e como denominador o preço atual da ação. Torna-se especialmente relevante se visto para o futuro, sendo neste caso necessário que tenhamos uma projeção de lucro e seja estabelecido um pay-out realista. Assim, se uma ação custa hoje R$ 100,00 e esperamos receber R$ 10,00 em dividendos, o yield seria de 10%, podendo ser visto como um rendimento da ação, independentemente da valorização em Bolsa.

Indicadores de Mercado
Lucro por Ação (LPA): representa a divisão do lucro líquido pelo número total de ações da empresa. LPA = Lucro Líquido / Número Total de Ações

Valor Patrimonial por Ação (VPA): representa a divisão do Patrimônio Líquido da empresa pelo seu número total de ações.
VPA = Patrimônio Líquido / Número Total de Ações

Preço/Lucro (P/L)
= Cotação da Ação/ Lucro por Ação
= Valor de Mercado/ Lucro Líquido

Indica o tempo de retorno do investimento, partindo-se da premissa que o lucro apurado se repetirá nos próximos anos. Assume ainda um caráter de preço relativo, na medida em que seja disponível uma série de projeções para várias empresas para determinado ano.

Preço/Valor Patrimonial (P/VPA)
= Cotação da Ação/ Patrimônio Líquido por Ação
= Valor de Mercado/ Patrimônio Líquido

EBITDA: quando o assunto em questão é análise de empresa, a geração de caixa é de extrema importância, pois é através dela que se mede a capacidade de produzir recursos. Vale lembrar que o lucro é um importante indicador. Contudo, na maioria das vezes, o lucro é afetado por valores exógenos à atividade da empresa, tais como variações cambiais e resultados não operacionais (Ex.: vendas de ativos).

Neste sentido, a geração de caixa, que trata do desempenho da empresa levando em consideração somente os ganhos gerados em sua atividade principal, é de extrema importância, o que nos leva a um estudo mais aprofundado do balanço. Sendo assim, destacamos a forma mais habitual para o cálculo da geração de caixa, que é a chamada Geração de Caixa na Atividade, ou Ebitda (Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization) cujas iniciais, traduzidas, significam: Lucro Antes do Imposto de Renda, Juros, Depreciação e Amortização.

Para chegarmos ao Ebitda, basta somarmos ao Lucro da Atividade (Lucro Bruto descontado das Despesas da Atividade) os valores correspondentes à depreciação e amortização, que se encontram embutidos no CPV (Custo dos Produtos Vendidos) e nas Despesas Operacionais. Vale ressaltar que a depreciação não representa saída de caixa, sendo o reconhecimento contábil da perda de valor por desgaste dos itens que compõem o Ativo Imobilizado da empresa.

Observando a partir da Receita Líquida, o Ebitda vem a ser o resultado da seguinte seqüência:
(+) Receita Líquida (-) Custo dos Produtos Vendidos (=) Lucro Bruto (-) Despesas da Atividade (c/ vendas, administrativas e outras diretamente ligadas às operações) (=) Lucro da Atividade (ou EBIT) (+) Depreciação e Amortização (valor correspondente ao período sob análise, que pode ser encontrado no DOAR - Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos) (=) EBITDA.

Margens: Nos relatórios de empresas elaborados pela ótica da Análise Fundamentalista é muito comum encontrar a comparação dos resultados através das margens, conforme aparece nos trechos abaixo, retirados dos relatórios da Belgo Mineira e Telemar.

Belgo Mineira: "A margem bruta foi 3 pontos percentuais maior que à verificada em jan-set/03, alcançando 42%, apesar da evolução dos insumos de produção (sucata e gusa)".

Telemar: "Neste contexto, destacamos que a margem Ebitda ficou em 42,0%, aumentando 1,3 p.p. nesse período".

Para melhor explicar o assunto, de maneira bastante resumida, podemos dividir a análise de balanço em análise vertical e horizontal. Na análise horizontal compara-se os resultados entre os períodos. Neste sentido, confronta-se, por exemplo, o balanço de dezembro de 2003 contra dez/04. Desta forma, pode-se avaliar a evolução da receita, lucro e demais contas entre os períodos.

Já à análise vertical, onde o conceito de margem está inserido, consiste na divisão de algumas contas por uma principal. As principais margens, em forma de porcentagem, são:

  • Margem bruta: relação entre o lucro bruto e a receita líquida;
  • Margem Ebitda: relação entre o Ebitda e a receita líquida;
  • Margem da atividade: relação entre o lucro da atividade e a receita líquida;
  • Margem líquida: relação entre o lucro líquido e a receita líquida;

Através destes indicadores de rentabilidade das vendas, que são amplamente utilizados nas análises de empresas, é possível fazer uma avaliação relativa das contas, ou seja, comparar qual o percentual do lucro bruto, em relação á receita líquida, foi maior entre os períodos.

 DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS
 Empresa X 2003 2004 Análise Horizontal
 Receita Líquida 1.135.000,00 1.523.000,00 34,2%
 Lucro Bruto 538.700,00 643.000,00 19,4%
 Análise Vertical (Margem bruta) 47,5% 42,2%  

No quadro acima, onde comparamos os resultados, fictícios, da empresa X de 2003 com 2004, podemos perceber que o lucro bruto aumentou 19,4% entre os períodos analisados. Porém, a margem líquida caiu de 47,5% para 42,2%, representado redução de 5,3 pontos percentuais. Isto não quer dizer que a empresa piorou, mas pode indicar uma queda de eficiência, como aumento dos custos de produção maior que a evolução da receita.

Antes de começar a investir, não deixe de ler as recomendações e regras de proteção.

 

  Luiz Freire
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